O Rio Grande do Norte cruzou uma linha simbólica no endividamento: mais da metade da população adulta do Estado está negativada. São 1.379.226 potiguares com o nome sujo — 51,8% dos adultos —, devendo juntos R$ 7,8 bilhões, segundo os dados mais recentes do Mapa da Inadimplência da Serasa, detalhados em levantamento com recorte estadual. Cada inadimplente potiguar deve, em média, R$ 5.664,86 — e o total se espalha por 4.477.740 dívidas ativas, mais de três por pessoa negativada. Com informações do Agora RN. Os números dão dimensão à nota publicada pelo Painel Econômico da edição impressa desta quinta-feira 27 de O Correio de Hoje, que registrou o estoque de aproximadamente R$ 8 bilhões em dívidas no Estado e a queda da pontuação média de crédito do potiguar de 529 para 524 pontos em um ano — o termômetro que define o acesso a empréstimos, financiamentos, cartões e parcelamentos em condições favoráveis.
O quadro
potiguar acompanha uma marca histórica nacional. O Mapa da Inadimplência
completa dez anos em 2026, e o balanço oficial da Serasa mostra o país com 83,5
milhões de inadimplentes — crescimento de 38% na década — e um dado que revela
o caráter crônico do problema: 42% dos negativados de hoje já enfrentavam
restrições há dez anos. Ou seja, para quase metade, a dívida não é um acidente
de percurso, é uma condição permanente. O Nordeste é a região mais pressionada:
mais de 50% dos adultos nordestinos têm restrições no CPF.
Na prática,
o nome sujo de um em cada dois adultos muda a economia local inteira.
Consumidores negativados adiam compras, perdem acesso ao crediário e pagam mais
caro quando conseguem crédito; o comércio enfrenta mais calotes e menos
circulação de dinheiro. A recuperação, apontam os levantamentos, depende da
combinação entre melhora de renda, juros menores e renegociação — os mutirões
de limpeza de nome, como o Serasa Limpa Nome e os feirões periódicos, seguem
sendo a porta de saída mais acessível para dívidas antigas, renegociáveis com
descontos expressivos.
AGORA RN
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