Segundo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o decreto editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido fruto de um acordo político envolvendo os líderes do governo com os presidentes da Câmara e do Senado, e já esvaziava o alcance de uma medida anterior que havia sido revogada pelo próprio governo para atender exigência dos parlamentares. "Essa Casa vive de cumprir acordos. Foi feito um acordo que está sendo descumprido. Eu não acho isso bom para o Parlamento", criticou Jaques Wagner. No Senado, todos os nove senadores do PT registraram voto contrário à derrubada do decreto. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) também manifestou voto contrário.
Inclusão na pauta
A decisão de pautar a derrubada do decreto do IOF foi anunciada mais cedo pelo
presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em postagem as redes
sociais. Segundo ele, a maioria
da Câmara não concorda com elevação de alíquotas do IOF como saída para cumprir
o arcabouço fiscal e tem cobrado o corte de despesas primárias. Já o governo alega que
a medida é necessária para evitar mais cortes em políticas sociais e maiores
contingenciamentos que podem afetar o funcionamento da máquina
pública.Além disso, segundo o ministro
da Fazenda, Fernando Haddad, as regras do decreto corrigiam injustiças
tributárias de setores que não pagam imposto sobre a renda.
Mudanças
Entre as medidas propostas no
decreto, estavam o aumento na taxação das apostas eletrônicas, as
chamadas bets, de 12% para 18%; das fintechs, de 9% para 15% a alíquota da
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), igualando-se aos bancos
tradicionais; a taxação das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de
Crédito do Agronegócio (LCA), títulos que atualmente são isentos de Imposto de
Renda. O decreto fazia parte de medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda,
juntamente com uma Medida Provisória (MP) para reforçar as
receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal.
Debate
"O decreto do presidente
da República visa fazer justiça tributária. Por mais que se fale, todos nós
sabemos que muitos enviam, às vezes, dinheiro para o exterior, ou gastam
dinheiro no exterior, fugindo do pagamento do IOF. E a ideia do governo era
evitar essas fugas", argumentou Jaques Wagner, líder do governo, durante a
discussão da matéria no plenário do Senado.
Já o relator do PDL em plenário, senador Izalci Lucas (PL-DF), leu um parecer contrário ao aumento no IOF. Segundo o parlamentar, a medida afetaria micro e pequenas empresas, operações de câmbio, atividades de seguradoras e entidades de previdência complementar. Além disso, ele afirmou que a medida fere os princípios da legalidade tributária e da segurança jurídica. "Por sua natureza constitucional, o IOF deve ser utilizado com finalidade regulatória e não como instrumento de arrecadação primária", observou. "O aumento do IOF sobre operações de crédito eleva sensivelmente o custo do capital para as empresas, especialmente as de menor porte, afetando também consumidores que dependem de crédito pessoal e imobiliário", acrescentou.
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