
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - 08/04/2016(Ricardo Moraes/Reuters)
Na tarde deste domingo, a Câmara dos Deputados decidirá sobre o
prosseguimento do impeachment de Dilma Rousseff, a quarta presidente eleita
desde a redemocratização do país e a segunda, depois de Fernando Collor de
Mello, que pode deixar a cadeira antes do término de seu mandato, na jovem e
inquieta democracia brasileira. Um parlamentar de Roraima será o primeiro a
votar. Trata-se do deputado federal Abel Mesquita Junior, o Abel Galinha,
filiado ao Partido Democratas e eleito com menos de 10.000 votos. Dono de uma
rede de postos de gasolina em Roraima, o deputado de primeiro mandato ri nervoso
ao se ver cercado pela imprensa. "Era para começar do Sul, mas mudou. Eu vou dar
o primeiro voto, né? Mas vai ser rapidinho, quero só dar um recado para o meu
povo", diz ele ao site de VEJA. Ao longo da semana que passou, o governo lançou
mão de todas as armas disponíveis para enterrar o impeachment na Câmara dos
Deputados. Dos discursos que qualificavam de golpe a investida contra o mandato
da presidente à frenética oferta de cargos na máquina federal, como forma de
cooptar apoios entre os parlamentares, nenhuma estratégia foi julgada indigna ou
deixada de lado. Dilma precisa de 172 votos para barrar o impeachment. Para que
o processo continue, 342 deputados devem votar pelo sim.
Dilma disse na semana passada que proporá um pacto de
conciliação caso vença a batalha na Câmara. Se a vitória for acachapante, pode
ser viável. Mas, se for por margem apertada - um cenário muito mais provável -
talvez a presidente logo se veja às voltas com novas tentativas de abreviar sua
estadia no Planalto. Terá sido uma vitória do fisiologismo, costurada não por
ela, mas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passou a semana em
Brasília oferecendo nacos da administração ao baixo clero do Congresso, em troca
de apoio politico. O arranjo tende a ter vida breve, porque as condições
objetivas que levaram Dilma ao cadafalso se mantêm inalteradas: índices elevados
de rejeição popular (61% querem seu impeachment, segundo pesquisa divulgada pelo
Datafolha em 9 de abril), economia em crise profunda e investigações da Operação
Lava Jato ainda a todo vapor.
Levantamentos feitos por VEJA e outros veículos, contudo, convergem para
outro cenário, no qual os 342 votos necessários para o andamento são alcançados.
Nesse caso, o processo será remetido ao Senado, onde passara por uma nova
analise de admissibilidade. Vencida também essa etapa, a presidente terá de se
afastar do cargo por 180 dias. Nesse período, será julgada pelos crimes de
responsabilidade apontados no pedido de impeachment - crimes contra a gestão do
orçamento público. O caminho do impedimento de Dilma ainda é relativamente
longo. Mas, se as sondagens estiverem corretas, começa no momento em que o
deputado Abel Galinha subir à tribuna para passar "rapidinho", nos dez segundos
reservados ao voto de cada parlamentar, o seu recado: "Eu sou a favor do
impeachment".
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