
A NOIVA
DE CAICÓ/RN
Maria Adélia Sobrinha filha do casal José Macário
da Costa e Necy Maria Dantas recebeu esse nome em homenagem a irmã de seu pai.
Adélia era funcionária do antigo Sesp em Caicó, RN. Moça jovem, despertava
atenção pela sua beleza e simpatia. Ocupava naquela casa de saúde a função de
auxiliar de enfermagem estando noiva de aliança com um colega de trabalho. Tudo
caminhava para o casamento e sua mãe preparava tudo nos mínimos detalhes. Os funcionários do hospital programaram um passeio para festejar as chuvas
abundantes caídas naquele ano. O referido passeio foi marcado para a barragem
de Chico Medeiros nas proximidades do sítio Barra do Lajedo próximo ao açude
Itans.
A jovem se programou para ir ao passeio mas sua mãe não lhe permitiu já que o
namorado também fora convidado. A insistência por parte de Maria Adélia foi
muito grande mas não convencia a mãe em deixá-la ir. Em um dia antes do passeio
sua prima Maria José e esposo Aragão veio visitar a família. Mazé como era
chamada, convidou suas primas Euracy e Adélia para pernoitarem em sua
residência que ficava muito próximo ao açude Itans. Além das primas veio também
a tia Cristina Dantas e a prima Nailza. Era dia de sábado e chegando a casa do
casal a alegria era imensa durando conversas e gargalhadas a noite inteira. A
programação do Domingo seria um banho na sangria do açude público. Chegou o domingo e a animação tomava conta da casa de Mazé. Depois do café da
manhã, as jovens se reuniram no quarto para vestirem os trajes de banho. Maria
Adélia vestia um maiô verde e ao vestir sua roupa seu cordão de ouro se quebra
misteriosamente caindo aos seus pés. Nesse momento Adélia ficou perturbada e
todos a olhavam espantados ao ouvir sua tia Cristina dizer-lhe que não era bom
sinal. Adélia ficou preocupada pois era supersticiosa.
Pensou um pouco, pegou o
cordão quebrado e colocou sobre a penteadeira. No carro tipo Rural propriedade
de Aragão as meninas faziam a festa, Mazé porém estava grávida de alguns meses.
O esposo da anfitriã para o carro e todos descem para olhar a grande cheia do
majestoso açude. Pelo fato do Itans ser próximo a baarragem de Chico Medeiros
onde estavam o passeio dos funcionários do Sesp, ouvia-se a festa que acontecia
naquele lugar. Naquele momento Adélia pede a Aragão para irem até a barragem
argumentando que aquele lugar estava bastante animado. Todos entraram no carro
e seguiram em destino ao passeio.
Chegando ao local, Aragão alerta aos familiares para não subirem para a parte
de cima da barragem, já que a mesma sangrava com uma lâmina de mais de uma
metro de altura. O esposo de Mazé pediu para que todos ficassem na parte de
baixo pelo perigo que as águas poderiam causar. Sentada em uma pedra fica Mazé,
Aragão, Cristina e Euracy. Sem ninguém perceber Adélia e Nailza sobem para a
barragem a fim de encontrar o grupo do Sesp.
Adélia nadava como ninguém, todos os tipos de nados. Junto com sua prima Nailza
nadavam pela barragem. Ela porém, estava com problemas de audição e não ouvia o
barulho da queda d'água. Cada vez mais a jovem se aproxima da parede nadando de
costas. Existem relatos que muitas pessoas gritaram para ela voltar mas a mesma
não escutava. Existem relatos que Dr. Onaldo , grande amigo de Adélia estava
pra chegar ao passeio e no momento que ele chegou ela o viu dispersou e caiu da
parede da barragem. Mas diante dos que estavam presentes a jovem desceu na
sangria da barragem caindo de uma altura imensa. Neste momento o desespero
tomou conta de todos. Aragão e familiares são alertados de que alguém desceu na
sangria e tentam ver o corpo passar. Mazé se dá conta de que Maria Adélia e
Nailza sumiram e logo avista a prima em prantos dizendo que a outra prima
desceu na sangria das águas. Euracy e Cristina entram em pânico e buscam ajuda
enquanto Mazé sente-se mal sendo conduzida para sua residência com sua tia
Cristina. Euracy permanece no local na esperança de encontrar a irmã com vida.
O casal Aragão permanecem em casa e a movimentação na parede do Itans é
bastante grande. Na barragem de chico Medeiros nenhum sinal da moça. Choro e desespero toma
conta dos amigos e colegas de trabalho. Alguém teve a ideia de buscar um
pescador para fazer o resgate, sendo que o mesmo encontra o corpo enganchado na
parede mas não consegue retirá-la das águas. O pescador pega a jovem pelo maiô
mas a força da água não permite o resgate sendo necessário usar cordas para
realizar o salvamento. No momento do resgate a comoção é grande ouvindo-se
gritos e choro por toda parte. Dr. Onaldo pede calma ao grupo e tenta
reanimá-la com massagens e técnicas de respiração. De repente é providenciado
um carro que leva a jovem ainda com vida para o hospital. Adélia encontrava-se
com uma perfuração na cabeça localizada na fronte. No hospital usaram todos os
recursos mas infelizmente sem sucesso, a jovem foi a óbito.
A notícia logo correu e chegou a zona urbana. Na casa de seus pais, sua irmã
Evani encontrava-se sozinha e sua mãe Necy teria saído com as filhas Eufrásia e
Nadir para rezar um terço na casa de um amigo falecido. Ao chamarem Necy para
noticiar o acidente, sua reação foi tranquila já que a mesma acreditava que sua
filha estaria na residência de Aragão e não no passeio.

Dona Necy ainda foi ao hospital ver a filha mas foi conduzida para a casa por
familiares. De fato, só acreditou na notícia quando o corpo chegou em sua
residência a rua Joel Damasceno. Sua mãe sempre muito forte, resolveu sepultar a filha vestida com seu vestido
de noiva, sendo que Maria de Tibúrcio foi quem preparou tudo. O funeral da
Noiva foi de grande repercussão na cidade, pela sua beleza, pela sua família e
pelo trágico acidente. Vale salientar que a causa mortis foi traumatismo no
crânio. Acompanhado por uma grande multidão, o corpo foi sepultado no Cemitério São
Vicente de Paulo na parte de cima onde está encravado seu belo retrato. A velha
Necy nunca a esqueceu, disse que seu túmulo só seria aberto para a mesma depois
da sua morte ( De fato só foi aberto para Necy), trancafiou o maiô em um baú e
nunca mais abriu, assim como sua corrente e pertences pessoais. O noivo de
Adélia recitou poemas sobre o caixão de sua noiva falecida, prometendo-a nunca
casar-se. Anos após o acidente, muitas pessoas relatavam terem visto nas madrugadas a
imagem de uma noiva a vagar pela casa ou refletido no espelho antigo da sala. Este fato aconteceu em 1961, o tumulo de Adélia só foi aberto para sua mãe em
1994, 33 anos após seu falecimento como determinou a matriarca da família.
Este acontecimento ficou marcado para a família e todos que testemunharam os
fatos que são sempre contados em versões diferentes pelos mais velhos.
Fonte: Grupo Memórias de Caicó
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