Após as eleições de 2026, a Câmara dos Deputados terá 531 deputados federais, 18 a mais que os atuais 513. É o que determina projeto de lei complementar aprovado pelos senadores no Plenário, nesta quarta-feira (25), com 41 votos favoráveis e 33 contrários (PLP 177/2023). Ele também estabelece que a criação e a manutenção dos novos mandatos não poderão aumentar as despesas totais da Câmara entre 2027 e 2030. O projeto volta agora para análise da Câmara, pois o Senado votou por retirar parte do texto que já havia sido aprovado pelos deputados. Com a aprovação do projeto, o Rio Grande do Norte ganha mais duas vagas na Câmara, saindo dos atuais 8 parlamentares para 10. Por efeito cascata, prevista na Constituição, o número de deputados estaduais também aumentará, com a Assembleia Legislativa do RN saindo de 24 para 30 deputados estaduais.
A correção periódica do número de deputados em relação à população de cada estado e do Distrito Federal é um mandamento da Constituição. Ela não fixa número total máximo de deputados, mas determina que uma lei futura regule o assunto. A Constituição também estabelece que nenhuma unidade da federação pode ter menos de 8 representantes e que o estado mais populoso (São Paulo, atualmente) deve ter, no máximo, 70 cadeiras. Assim, deputados e senadores aprovaram, cinco anos depois de promulgada a Constituição, a Lei Complementar 78, de 1993, que estabeleceu o atual total de 513 representantes na Câmara — o número foi escolhido com base no Censo de 1986. O texto aprovado nesta quarta-feira revoga e substitui essa lei. Com a mudança, o Congresso Nacional passará a ter 612 parlamentares (são 594 atualmente), pois o Senado continuará com 81 cadeiras.
A matéria foi relatada no
Plenário do Senado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), que defendeu a
pertinência do projeto.
— A última vez em que se
estabeleceu o número de deputados por cada estado do Brasil foi em 1986. No
próximo ano completará 40 anos. Durante esses quase 40 anos, estamos
simplesmente descumprindo a determinação da nossa Constituição. A lei de 1993
simplesmente estabeleceu que o número de deputados são 513. Não fez a
proporcionalidade que a Constituição manda — disse o relator. Após negociações, Castro optou
por acatar sugestões do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e apresentou novo
relatório pouco antes da votação. Com a alteração, a Câmara terá que manter os
novos mandatos sem aumento real de despesas durante a próxima legislatura
(2027-2030), inclusive das verbas de gabinete, cotas parlamentares, passagens
aéreas e auxílio-moradia. Nesse período, as despesas terão atualização
monetária anualmente.
— Não haverá impacto
orçamentário de nenhum centavo — afirmou Castro.
Castro também aceitou retirar
do texto final a previsão de auditoria dos dados pelo Tribunal de Contas da
União (TCU), com possibilidade de pedido de impugnação por partidos políticos
ou estados. O texto aprovado determina que
as futuras redistribuições de vagas deverão ter como base dados oficiais de
cada censo demográfico do IBGE, vedado o uso de dados obtidos por meio de
pesquisas amostrais ou estimativas intercensitárias. Ou seja, a próxima atualização
será feita com os dados do Censo de 2030. Durante a sessão, vários
senadores discursaram a favor do projeto, como Rogério Carvalho (PT-SE), Efraim
Filho (União-PB), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e Weverton (PDT-MA).
— Essa matéria quem tem que
deliberar é o Congresso. É importante porque no ano que vem tem eleições e isso
precisa estar, um ano antes, deliberado — destacou Rogério Carvalho. O presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, optou por registrar seu voto, deixando a presidência dos trabalhos
momentaneamente a cargo do senador Carlos Viana (Podemos-MG). Pelas regras,
quem preside a votação não pode votar, a não ser em caso de desempate.
Nenhum comentário:
Postar um comentário