A União dos Dirigentes Municipais de Educação do RN (Undime-RN) afirmou que acompanha permanentemente a situação, prestando orientação técnica aos dirigentes municipais, dialogando com os órgãos federais e articulando ações formativas para apoiar as redes na recuperação dessas complementações nos próximos ciclos. O Fundeb é composto por recursos de estados, municípios e da União, além das complementações, as quais têm por finalidade o equilíbrio de investimentos entre os entes federados. O indicador VAAT está ligado à capacidade de investimentos de estados e municípios. Ele é pago pela União quando as receitas do fundo, excluindo-se as complementações, não atingem o valor anual mínimo estabelecido por aluno em uma determinada rede. Para 2026, esse valor mínimo foi estabelecido em R$ 10.194,38. Este, no entanto, não é o único pré-requisito para habilitação ao VAAT.
Como regra geral, os entes precisam disponibilizar à Secretaria do Tesouro Nacional e ao FNDE as informações de todos os investimentos feitos na Educação no exercício do ano anterior dentro do prazo determinado – até o último dia útil de abril do ano corrente, por intermédio de canais como o Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro e o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação. Gustavo Fernandes, mestre em Educação e especialista em Gestão Escolar, explica que a habilitação ao VAAT depende da gestão administrativa de cada ente. Nem todos os municípios que ficarão sem VAAT em 2026, no entanto, têm como causa a falta de informações adequadas para habilitação, uma vez que a complementação é destinada apenas aos entes que não atingem a capacidade mínima de investimento por aluno. De acordo com a União dos Dirigentes Municipais de Educação do RN (Undime-RN), a expectativa é de que o FNDE divulgue em março os motivos pelos quais os entes não receberão as receitas referentes ao indicador em 2026.
O que dizem as secretarias
Em
nota, a Secretaria de Educação do RN (SEEC) explicou que “já aplica o mínimo do
VAAT por aluno, então não precisa de complemento”. Já o secretário de Educação
da capital, Aldo Fernandes, disse que “o VAAT está diretamente relacionado aos
municípios que possuem baixa arrecadação própria ou que dependem exclusivamente
do Fundeb, o que não é o caso de Natal”. O VAAR, por sua vez, premia entes que
atingem metas de melhoria no aprendizado e de equidade educacional. Para ter
direito às receitas, é preciso o cumprimento de cinco condicionalidades. As
informações sobre duas delas precisam ser prestadas pelos municípios: adoção de
normas para o provimento de cargo de gestor escolar e de referenciais
curriculares para o sistema de ensino. Aos Estados cabe comprovar informações
sobre o regime de colaboração entre Estado e os Municípios com o chamado ICMS
Educacional. As
outras condicionalidades são calculadas pelo Inep, com base em indicadores da
participação dos alunos nas avaliações nacionais do Sistema de Avaliação da
Educação Básica (Saeb) e a redução ou, no mínimo, a não ampliação das
desigualdades de aprendizagem entre estudantes de diferentes grupos raciais e
níveis socioeconômicos.
De acordo com o FNDE, além da rede estadual, os três principais municípios do RN (Natal, Parnamirim e Mossoró) não receberão VAAR em 2026. Em nota, a SEEC informou não ter conseguido alcançar a meta de participação mínima (de 80%) no Saeb de 2023, utilizada como referência para a distribuição de recursos em 2026. A referida avaliação é realizada a cada dois anos e o resultado de 2025 só deve ser divulgado a partir de julho.“Para superar esse obstáculo, a Educação do RN, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, implementou o projeto Gestão para Aprendizagem, que, entre outras ações, trabalhou para melhorar o fluxo escolar e a aprendizagem dos estudantes, o que esperamos que reflita nos índices das avaliações de grande escala, como o Saeb 2025”, afirmou a SEEC. Em Natal, segundo o secretário de Educação Aldo Fernandes, a situação é semelhante.
Recuperação dos valores de complemento
Alguns
municípios deverão recuperar ou ampliar receitas de complementação do Fundeb em
2026. É o caso de Nísia Floresta. No ano passado, o município recebeu cerca de
R$ 9 milhões em complementação do VAAT. Para 2026, a previsão é de R$ 30,5
milhões. “Com o novo valor projetado, o município apresenta um crescimento
superior a 230%, consolidando-se como um dos municípios com maior avanço
proporcional nessa modalidade de complementação em todo o RN”, frisa Gustavo
Fernandes, que, além de especialista em Gestão Escolar, é secretário de Nísia
Floresta.
Ainda
segundo dados do FNDE, em 2026, Bento Fernandes, Fernando Pedroza, Francisco
Dantas, Ipanguaçu, Jandaíra, Paraná, Parazinho, Pedra Grande, São Rafael,
Senador Georgino Avelino e Tibau do Sul, que não receberam VAAT em 2025,
receberão essa complementação em 2026. Já Cruzeta, Lagoa de Pedras, Messias
Targino, Poço Branco, São Pedro, Serra do Mel e Várzea são os municípios que
deverão recuperar o VAAR este ano.
Tribuna do Norte
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