O governo federal publicou a
Medida Provisória (MP) nº 1.334/2026, que altera substancialmente a sistemática
de atualização do Piso Salarial Nacional do Magistério Público da Educação
Básica. A proposta substitui o modelo anterior — baseado exclusivamente na
variação do Valor Aluno Ano Fundeb (VAAF) — por uma fórmula que associa a
reposição inflacionária ao crescimento real das receitas educacionais.
A Nova Metodologia e as
“Travas” Fiscais
O novo cálculo estabelecido
pela MP é composto pela soma do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)
do ano anterior com 50% da média do crescimento real do VAAF-Fundeb dos últimos
cinco anos. O objetivo central é assegurar o ganho real dos docentes de forma
escalonada, evitando picos orçamentários que comprometam as contas de estados e
municípios.
*Diferente do regramento
anterior, a MP introduz duas travas de segurança jurídica e financeira:
*Garantia de reposição: O
reajuste nunca poderá ser inferior à inflação.
*Limite de teto: O aumento não
poderá ultrapassar o crescimento das receitas totais do Fundeb.
Essa mudança visa corrigir a
volatilidade que resultou em reajustes de 0% em 2021 e apenas 3,62% em 2024,
conferindo maior previsibilidade aos entes federados e aos profissionais.
Contexto Histórico e
Estrutural
Entre 2009 e 2025, o piso
cresceu três vezes acima da inflação acumulada, impulsionado pela expansão do
Fundeb e pela maior complementação da União. Entretanto, a nova dinâmica do
ensino integral alterou o cálculo do “custo-aluno”. Segundo o Executivo, o
critério antigo tornou-se insustentável diante das mudanças estruturais no
financiamento da educação básica, exigindo uma transição para proteger o
próprio valor do piso a longo prazo.
Interesses e Posicionamentos
A Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação (CNTE) manifestou que, embora a regra permanente seja
um avanço, cobrará do MEC o detalhamento técnico do cálculo e a definição clara
das receitas utilizadas. A entidade também defende a aprovação do PL nº
2.531/2021, que estende o piso aos funcionários administrativos da educação.
Por outro lado, a Confederação
Nacional de Municípios (CNM) tem apresentado resistências à medida. Em
resposta, setores sindicais argumentam que as críticas ignoram o papel
redistributivo da União e que o modelo defendido pela CNM garantiria apenas a
inflação, sem ganhos reais à categoria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário