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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

ÚLTIMA MENSAGEM DE FÁTIMA À ASSEMBLEIA REÚNE BALANÇO DE GESTÃO E RECADOS SOBRE SUCESSÃO NO RN

Na última vez em que leu a mensagem anual à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, nesta terça-feira (10), a governadora Fátima Bezerra usou o discurso para ir além do balanço administrativo e deixou sinais claros sobre o debate sucessório no Estado em meio à antecipação do calendário eleitoral de 2026. Após dois mandatos consecutivos, Fátima adotou um tom de defesa do legado da gestão, rebateu críticas à condução econômica, exaltou avanços na área da saúde e fez críticas diretas a entraves institucionais enfrentados pelo governo — em especial no processo de relicitação do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante. O pronunciamento ocorre em um momento em que a governadora é apontada como prioridade do PT para disputar o Senado, o que exigiria sua saída do cargo até o início de abril.

Ao tratar da política de incentivos fiscais, Fátima afirmou que encontrou um Estado “de ladeira abaixo” e atribuiu a perda de competitividade do Rio Grande do Norte a um modelo que, segundo ela, havia se esgotado. A governadora citou o antigo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial (Proadi) e destacou a aprovação de um novo marco, construído com o setor produtivo e aprovado por unanimidade na Assembleia. No discurso, fez elogios ao secretário estadual da Fazenda e pré-candidato ao governo, Cadu Xavier, e ao Parlamento pela condução do debate. Na área da saúde, a governadora reconheceu desafios persistentes, mas afirmou que a atual rede representa “avanços civilizatórios” em relação ao cenário encontrado no início da gestão. Como exemplo, citou a ampliação do número de leitos de UTI, que teria passado de cerca de 170 para mais de 330, e a interiorização desses serviços. “Isso aqui não é discurso, é vida”, afirmou, ao mencionar a implantação de leitos em regiões que, segundo ela, passaram anos sem assistência intensiva.

Um dos trechos de maior carga política do discurso foi a crítica ao processo de relicitação do aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Fátima afirmou que o Estado passou três anos à espera da solução e atribuiu o atraso a entraves no âmbito federal, com menção ao Tribunal de Contas da União e ao então ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Segundo a governadora, o impasse só foi superado após o retorno do presidente Lula ao Palácio do Planalto. O discurso também teve tom pessoal. Fátima disse nunca ter se guiado por interesses individuais na vida pública e reforçou a ideia de compromisso com projetos coletivos, em uma sinalização que dialoga diretamente com o debate sobre sua permanência ou não no governo até o fim do mandato. A leitura da mensagem ocorre em um contexto político sensível. Caso a governadora deixe o cargo para disputar o Senado e o vice-governador Walter Alves mantenha a decisão de não assumir o Executivo, o Estado poderá enfrentar uma situação inédita de vacância, com a necessidade de um mandato-tampão até o fim da gestão.

ANNA RUTH

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