O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) investiga o caso de um professor da rede pública estadual que continuou recebendo salários por mais de quatro anos mesmo após ter sido preso sob acusação de matar uma ex-aluna. Um inquérito foi aberto para apurar possível dano ao erário e eventuais responsabilidades administrativas. As informações tiveram origem em uma série de reportagens do jornal Tribuna do Norte e ganharam projeção nacional nesta segunda-feira (16), com uma matéria do portal UOL. A investigação do MPRN foi aberta em 29 de janeiro deste ano e está a cargo da 44ª Promotoria de Justiça da Comarca de Natal. O professor Rubens Ferreira de Paiva Junior foi nomeado em 12 de março de 2020 para lecionar Física, com carga horária de 30 horas mensais, mas nunca chegou a assumir efetivamente as funções. A posse ocorreu dias antes da suspensão das aulas presenciais em razão da pandemia da Covid-19. Pouco mais de dois meses depois, em 27 de maio de 2020, o professor foi preso preventivamente acusado de matar e ocultar o corpo da ex-aluna Letícia Dyrajaya da Silva Leão, de 24 anos. O crime havia ocorrido na semana anterior em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal.
Segundo as investigações, a vítima foi estrangulada e enterrada no quintal da residência do acusado. O professor, que confessou o crime, chegou a utilizar o celular da jovem para enviar mensagens a familiares, simulando que teria deixado a cidade. De acordo com o que foi apurado, os dois se conheceram em uma escola privada e tinham um caso, que foi descoberto pela mulher do professor. Após isso, a ex-aluna teria pressionado o homem para oficializar o relacionamento, o que ele não aceitou. Em agosto de 2021, Rubens foi condenado pelo Tribunal do Júri a 17 anos de reclusão por homicídio qualificado — com reconhecimento de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio — além de um ano por ocultação de cadáver. Em novembro passado, ele deixou a prisão e passou a cumprir o restante da pena em regime semiaberto, com tornozeleira eletrônica.
Apesar da prisão e da condenação, o nome do professor permaneceu na folha de pagamento do Estado até julho de 2024, quando foi creditado o último salário, no valor de R$ 4.809,60. A manutenção do vínculo remunerado durante esse período é o foco da apuração aberta pelo MP. Segundo o jornal Tribuna do Norte, ao longo dos mais de quatro anos, o professor recebeu quase R$ 232 mil em remuneração, mesmo estando preso. O caso veio à tona após a revelação de que, ainda em novembro de 2020, a 5ª Diretoria Regional de Educação e Cultura (Direc) comunicou à Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (Seec) o desaparecimento do servidor. A direção da Escola Estadual Dom Eugênio Sales, no município de Rio do Fogo, onde ele deveria atuar, informou que o professor compareceu apenas para a posse e não retornou à unidade.
FONTE: Agora RN.
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