O forte
reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela
Petrobras na quarta-feira (01/04), acendeu um sinal de alerta no setor aéreo
brasileiro. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) reagiu
imediatamente, destacando que a elevação do combustível terá impactos
relevantes sobre a operação das companhias. O aumento atual se soma à alta de
9,4% aplicada desde o início de março, ampliando significativamente a pressão
sobre os custos.
Segundo a entidade, o combustível
passará a representar cerca de 45% das despesas operacionais das empresas
aéreas, um patamar que compromete a sustentabilidade do setor. “A medida tem
consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços,
restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”,
afirmou a entidade, em nota, sem mencionar o preço das passagens. Em resposta à repercussão, a
Petrobras informou que pretende suavizar os efeitos do reajuste por meio de um
termo de adesão a ser oferecido às distribuidoras até segunda-feira (06/04). A
proposta prevê que, em abril, as empresas arquem com um aumento inicial de 18%,
enquanto a diferença até o reajuste total poderá ser parcelada em seis vezes,
com início dos pagamentos em julho de 2026. As condições específicas ainda
serão detalhadasA estatal destacou que a
iniciativa “visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do
reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do
mercado”. Ainda assim, a dinâmica de preços segue atrelada ao mercado internacional,
o que mantém elevada a exposição das companhias às oscilações do petróleo.
De acordo com a Abear, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, a política de paridade internacional intensifica a transmissão de choques externos para o mercado doméstico. Isso amplia a volatilidade dos custos e dificulta o planejamento operacional das empresas. “Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam reduzir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações”, conclui. Mais cedo, o presidente da associação, Juliano Noman, afirmou que as medidas do governo federal para mitigar o impacto da alta do petróleo sobre o QAV precisam ser “urgentes”, para evitar que o setor tenha de adotar ações de replanejamento. Do ponto de vista de mercado, o aumento expressivo do QAV tende a pressionar diretamente as margens das companhias aéreas listadas na bolsa de valores, elevando o risco de revisão de rotas, redução de oferta e possível repasse de custos ao consumidor. Esse cenário pode gerar volatilidade nas ações do setor, além de influenciar cadeias correlatas, como turismo e logística, em um ambiente já sensível às variações do petróleo.
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