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sexta-feira, 17 de abril de 2026

SAÚDE RN EM PÂNICO: QUASE 47 MIL POTIGUARES ESPERAM POR CIRURGIA, REVELA SESAP


Milhares de pessoas aguardam por cirurgias no Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Norte. Regula Cirurgia aponta 46.930 pacientes em fila no RN. Varizes e vesícula lideram demandas, sem previsão de tempo de espera.

Saúde
O Rio Grande do Norte confronta um cenário alarmante na saúde pública: 46.930 pessoas aguardam por cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), através de dados atualizados do portal Regula Cirurgia consultados nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, expõe a gravidade de uma situação que afeta diretamente a dignidade e a qualidade de vida de milhares de potiguares. A incerteza sobre o tempo de espera, que a Sesap não consegue estimar, agrava a aflição desses pacientes. Entre os procedimentos mais solicitados, o tratamento cirúrgico de varizes lidera, com 3.296 pacientes na fila. A colecistectomia, cirurgia para retirada da vesícula biliar, surge em segundo lugar, com 2.808 pessoas aguardando, seguida pela histeroscopia, um exame essencial para avaliação do útero, que acumula 2.149 solicitações. Esses números sublinham a diversidade e a urgência das demandas represadas.

A capital potiguar, Natal, concentra o maior número de pacientes, com 8.861 pessoas à espera. Parnamirim e Macaíba seguem com 2.174 e 1.880 pacientes, respectivamente, evidenciando a pressão sobre os grandes centros urbanos. Outras cidades também sofrem com a alta demanda. Mossoró registra 1.549 pessoas na fila; Ceará-Mirim, 1.372; São José de Mipibu, 967; Currais Novos, 908; e Extremoz, 805 pacientes. Completam a lista São Gonçalo do Amarante (790), Santa Cruz (750), Goianinha (741), Macau (733), Nova Cruz (710), João Câmara (652) e Santo Antônio (642), mostrando que o problema se espalha por todo o estado. Apesar do quadro crítico, o Governo do Estado ressalta ter ampliado a capacidade de atendimento nos últimos anos. Desde a criação do sistema Regula Cirurgia, o estado realizou 135.528 procedimentos. Somente em março de 2026, considerado o mês de maior volume do ano, foram registradas 7.893 cirurgias, um dado que, embora expressivo, ainda não é suficiente para zerar a fila. Hospitais como o Hospital Saúde de Todos e o Hospital Lindolfo Gomes, ambos com cerca de 15 mil vagas cada, e o Hospital Regional de João Câmara, com aproximadamente 13 mil vagas, são as unidades que mais recebem pacientes. 

A gestão estadual aponta ainda a reestruturação das unidades próprias de saúde, que totalizou 76.530 cirurgias em sete anos, e a expansão da rede no interior como fatores que, paradoxalmente, aumentam a demanda ao melhorar o acesso. A interiorização da saúde, que levou cirurgias eletivas ortopédicas para Assú, Mossoró e Pau dos Ferros — cidades que antes não ofereciam tais procedimentos — é vista como um avanço. Essa estratégia, ao ampliar o acesso da população a serviços especializados, também contribui para a visibilidade da demanda reprimida. Mesmo com os esforços e avanços na infraestrutura e na oferta de serviços, o elevado número de pessoas aguardando por cirurgias permanece um desafio persistente para a saúde pública do Rio Grande do Norte, clamando por soluções mais eficazes e rápidas para aliviar o sofrimento de milhares.

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