No Brasil, a arrecadação tributária alcançou R$ 2,03 trilhões entre janeiro e junho, segundo o Impostômetro - Foto: José Aldenir/AGORA RN
No recorte regional, o Rio Grande do Norte aparece como o terceiro Estado nordestino com menor volume de arrecadação no semestre, à frente apenas de Alagoas, com R$ 10,66 bilhões, e Piauí, com R$ 11,32 bilhões. Na outra ponta do ranking estão Sergipe, com R$ 96,90 bilhões, Bahia, com R$ 65,69 bilhões, e Pernambuco, com R$ 47,76 bilhões. Os números evidenciam diferenças estruturais entre as economias estaduais. Estados com maior concentração industrial, atividade portuária, produção de petróleo e maior mercado consumidor tendem a registrar arrecadação mais elevada, enquanto economias menores apresentam base tributária mais restrita.
Embora a arrecadação continue em trajetória de crescimento, especialistas observam que o aumento da receita pública não tem sido acompanhado, na percepção da população, por melhoria equivalente na qualidade dos serviços públicos. Essa avaliação é reforçada pela 15ª edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (IRBE), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) em parceria com a ACSP. O estudo conclui que, entre os 30 países com maior carga tributária do mundo, o Brasil permanece na última colocação quando se relaciona o volume de impostos arrecadados com o retorno oferecido à população em áreas como saúde, educação, segurança e qualidade de vida.
Mesmo diante de um elevado comprometimento da renda das famílias e das empresas com tributos, o contribuinte brasileiro encontra dificuldades para perceber esse retorno por meio dos serviços oferecidos pelo Estado, aponta o levantamento. O IRBE utiliza indicadores internacionais de desenvolvimento humano e qualidade de vida combinados com dados sobre carga tributária para comparar a eficiência do gasto público entre os países analisados. No ranking mais recente, economias como Irlanda, Estados Unidos, Suíça, Coreia do Sul e Austrália aparecem nas primeiras posições, enquanto o Brasil ocupa a última colocação. Criado em 2005, o Impostômetro contabiliza em tempo real a arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais a partir de informações oficiais. O painel é atualizado continuamente e se tornou uma das principais referências para acompanhar a evolução da carga tributária brasileira e sua distribuição entre Estados e municípios.
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