A decisão que determinou a reintegração do policial militar Pedro Inácio aos quadros da Polícia Militar do Rio Grande do Norte provocou reação da mãe da estudante Zaira Cruz, assassinada em Caicó, e da governadora Fátima Bezerra. Pedro Inácio foi condenado pelo Tribunal do Júri a 20 anos de prisão pelo estupro e homicídio de Zaira. A condenação, no entanto, ainda é alvo de recurso e não transitou em julgado. Em um vídeo divulgado após a decisão, Ozinete Dantas, mãe de Zaira, questionou a possibilidade de o policial voltar a trabalhar e receber remuneração enquanto cumpre a pena em liberdade monitorada. “Como não questionar o retorno desse assassino, desse estuprador, ao trabalho, ser remunerado?”
Emocionada, Ozinete afirmou que a filha teve a vida interrompida de maneira brutal e disse temer a mensagem que a decisão pode transmitir para outras famílias. “Como mãe, como mulher, como cidadã, me pergunto: que mensagem estamos passando para essas famílias? Que segurança nós vamos ter?” A mãe de Zaira também afirmou que respeita a decisão judicial, mas considera legítimo questionar a reintegração do policial à corporação.
Governadora anuncia recurso
A governadora Fátima Bezerra
também se manifestou sobre a decisão. Em publicação nas redes sociais,
classificou o caso como motivo de “indignação” e informou que determinou à
Procuradoria-Geral do Estado (PGE) que recorra da decisão. “Não há espaço para
tolerância com a violência contra a mulher”, afirmou a governadora.
Fátima também declarou que a
medida pode afetar a credibilidade da Polícia Militar e disse que o Estado
respeita o Judiciário, mas pretende recorrer da decisão.
Entenda a decisão
Em nota enviada à imprensa, o
desembargador Cláudio Santos explicou que a decisão de reintegrar Pedro Inácio
ocorreu em cumprimento a entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema
de Repercussão Geral 1.200.
Segundo o magistrado, o entendimento impede que a própria corporação militar aplique a expulsão administrativa em determinadas situações sem observar as garantias previstas no processo legal. O policial já havia recebido, em 2024, uma punição disciplinar de 30 dias de prisão pelo mesmo fato. Em julho deste ano, a Polícia Militar havia determinado sua expulsão.
Conforme explicou o desembargador, não seria possível aplicar uma nova punição administrativa pelo mesmo acontecimento ou transformar a penalidade anterior em expulsão sem a abertura de um novo processo, respeitando o devido processo legal. A decisão é liminar e, segundo o magistrado, não impede que uma eventual expulsão seja determinada posteriormente, desde que sejam observadas as garantias legais. A condenação criminal também ainda não é definitiva. O recurso apresentado pela defesa de Pedro Inácio aguarda julgamento pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. Até uma decisão definitiva, a determinação judicial estabelece o retorno do policial à situação funcional anterior, incluindo o restabelecimento dos vencimentos.
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