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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

RISCO À INDÚSTRIA: CONGRESSO NACIONAL APROVA MEDIDA PROVISÓRIA QUE AMEAÇA INDÚSTRIA TÊXTIL E DEMANDA POR ALGODÃO NO BRASIL

A indústria têxtil e a cadeia de algodão enfrentam um cenário de crescente preocupação após o Congresso Nacional aprovar a Medida Provisória nº 1.357/2026, popularmente denominada "MP das blusinhas". A decisão, que isenta de tributação a entrada de vestuário importado, é vista por representantes do setor como um golpe na competitividade da produção brasileira, ao ignorar a necessidade de mecanismos compensatórios para equilibrar a balança comercial e proteger o mercado interno. Para Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), a falta de uma política compensatória cria uma desvantagem estrutural. "A indústria terá um prejuízo muito maior, porque vai desacelerar o processo de fazer chegar até os magazines produtos nacionais, que agora competem em inferioridade com os importados devido a essa política governamental", afirma. O setor argumenta que a isenção concedida aos importados deveria ser acompanhada de incentivos equivalentes para a indústria nacional, medida que não se concretizou.

A situação é agravada pelo contraste nos números de desempenho. Dados da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) apontam que, de janeiro a agosto de 2026, as importações de vestuário cresceram 50,3%, enquanto a produção nacional sofreu retração de 6,8% no primeiro semestre. Fernando Pimentel, presidente da Abit, reforça que a desigualdade tributária e regulatória permite que produtos estrangeiros ganhem mercado com vantagem desleal, impactando desde a confecção até o cultivo da fibra de algodão. O impacto social desta decisão é profundo. Segundo análises técnicas, a fragilização da indústria coloca em risco cerca de 800 mil empregos, afetando direta ou indiretamente 3,2 milhões de brasileiros, em um setor onde sete de cada dez postos são ocupados por mulheres. Pery Passotti Pedro, consultor independente, alerta para o risco estratégico: "Se perdermos nossa indústria têxtil, o produtor brasileiro passa a depender exclusivamente do mercado externo e de suas flutuações, sem contar com o parceiro próximo que ajudou a construir a liderança do Brasil no mercado de algodão".

Embora a Abit reconheça pontos positivos na MP, como o reforço na fiscalização contra o subfaturamento e a fragmentação irregular de encomendas, a entidade enfatiza que tais medidas não suprem a ausência de isonomia. Sem previsibilidade nas regras e segurança jurídica para investimentos de longo prazo, a indústria têxtil brasileira enfrenta um desafio de sobrevivência que vai além das tarifas, envolvendo a própria base da economia produtiva nacional.

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