A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 não será votada pelo plenário do Senado antes do primeiro turno das eleições. A decisão foi tomada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após a aprovação do texto pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira 2. Com isso, a matéria deverá aguardar o encerramento da primeira etapa da disputa eleitoral, marcada para 4 de outubro. Apesar do adiamento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda trabalha para tentar levar a proposta ao plenário antes do segundo turno, previsto para 25 de outubro. Segundo informações da Folha de S.Paulo, integrantes da articulação política do Palácio do Planalto já admitem, porém, que a votação antes do primeiro turno é considerada improvável.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo ainda buscava convencer Alcolumbre a pautar a matéria. Após reunião com o presidente do Senado, declarou que ainda havia tempo para negociar uma possível votação nesta quinta-feira (3). Nos bastidores, entretanto, a avaliação é de que não há consenso suficiente para levar a proposta ao plenário. Segundo relatos, Alcolumbre apontou a resistência de senadores da oposição e de parlamentares do centrão como um dos principais entraves. A PEC foi aprovada na CCJ em votação simbólica, sem registro nominal dos votos, e recebeu apenas quatro manifestações contrárias. Para ser aprovada definitivamente no Senado, a proposta ainda precisa passar por dois turnos de votação no plenário e obter o apoio de, no mínimo, 49 dos 81 senadores.
Governo busca manter diálogo com Alcolumbre
Mesmo
com o adiamento, o governo pretende evitar desgaste com o presidente do Senado.
A avaliação no Planalto é de que preservar a relação política com Davi
Alcolumbre pode facilitar uma votação antes do segundo turno. Aliados do
presidente Lula consideram que a aprovação da PEC durante a campanha eleitoral
poderia fortalecer o discurso do governo junto ao eleitorado. O líder do
governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP),
afirmou que a decisão de retirar a proposta da pauta também levou em conta o
risco de derrota em plenário. Segundo ele, o governo avaliou previamente o
cenário de votos e concluiu que não seria conveniente submeter o texto à
votação sem segurança de aprovação.
Oposição defende outro modelo de jornada
O adiamento também atende à posição de setores da oposição, que defendem
uma alternativa à proposta de extinção da escala 6×1. O grupo ligado ao
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) propõe ampliar a
liberdade de negociação entre empregadores e trabalhadores para definir a
remuneração conforme as horas trabalhadas.
O senador Rogério Marinho (PL-RN),
coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou que o grupo
continuará defendendo essa alternativa e atuando para que a discussão sobre o
fim da escala 6×1 não avance antes das eleições. Além da PEC da jornada de
trabalho, outras matérias de interesse do governo também tiveram o calendário
alterado em razão do período eleitoral. A PEC da Segurança Pública,
embora aprovada na CCJ, também deve ficar para depois do pleito. Já o projeto
sobre minerais críticos avançou no Senado, enquanto a
proposta conhecida como “taxa das blusinhas” ainda
aguardava a conclusão da votação.
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